Público-alvo: o que é, como definir e como atender cada perfil

Saiba o que é público-alvo, como definir com segmentação de clientes e como ajustar canal, tom, prioridade na fila e automação a cada perfil de cliente.
Lupa destacando grupos de clientes para análise de público-alvo e segmentação de clientes
Sumário

Público-alvo é o grupo de pessoas ou empresas que a organização escolhe atender de forma prioritária, com base nos problemas que elas querem resolver e no valor que representam para o negócio. Em uma operação de atendimento, essa escolha orienta quem entra primeiro na fila e quais contatos a automação assume.

Definir esse grupo com critério tem respaldo em pesquisa: segundo a McKinsey,, 71% dos consumidores esperam interações personalizadas das empresas e 76% ficam frustrados quando isso não acontece.

Com o público-alvo definido, a equipe separa os perfis e decide canal, tom, prioridade na fila e o que vai para a automação ou para o atendente.

O que é público-alvo e por que ele é um recorte

O público-alvo é o recorte do mercado que a empresa escolhe atender primeiro.

O que é público-alvo na prática

Na prática, o público-alvo é o grupo de clientes para o qual a empresa desenha o atendimento. Ela define quem são essas pessoas ou empresas e qual problema cada uma traz. A partir dessa definição, surgem os canais, os horários, as filas e as regras de prioridade.

Uma empresa que vende assinaturas para outras empresas, por exemplo, pode escolher como público-alvo os clientes com contrato ativo e oferecer a eles um número direto e uma fila própria. Quem ainda não tem contrato continua sendo atendido por chat e autoatendimento, sem número direto e com fila comum.

Dentro desse grupo, porém, os clientes chegam com necessidades diferentes: quem pede a segunda via de um boleto e quem relata uma falha grave fazem parte do mesmo público-alvo e esperam tratamentos distintos. Por isso, a empresa precisa de uma unidade menor, o perfil.

Diferença entre público-alvo e perfil de cliente

Dentro do público-alvo, cada subgrupo que reúne clientes com uma necessidade e um comportamento próprios forma um perfil. Em uma operadora de saúde, por exemplo, o público-alvo pode ser o beneficiário de planos empresariais, com perfis distintos entre quem agenda consultas e quem contesta uma cobrança.

Um público-alvo contém vários perfis, mas decisões próprias de atendimento ao cliente só se justificam quando a necessidade de um deles difere da dos demais, pois quem tem a mesma demanda recebe o mesmo tratamento.

Como definir público-alvo em quatro decisões

Para definir o público-alvo, parta do problema que o cliente quer resolver e confirme o recorte com dados do próprio atendimento.

Comece pelo trabalho que o cliente quer resolver

A primeira decisão sobre como definir público-alvo é o critério de corte: em vez de perguntar quem é o cliente, a empresa investiga o problema que ele quer resolver.

Um caso publicado pela HBS Working Knowledge mostra essa diferença. Um restaurante de fast food, com empresa e produto disfarçados, segmentou os compradores de milk-shake por características demográficas e de personalidade.

Clientes desse perfil avaliaram versões mais grossas, mais achocolatadas, mais baratas ou com pedaços. As melhorias feitas a partir das respostas não tiveram efeito nas vendas.

A virada veio quando um pesquisador passou um dia no restaurante registrando o horário das compras e as condições de consumo, até constatar que 40% dos milk-shakes eram comprados no início da manhã. Ao entrevistá-los, encontrou o trabalho recorrente do produto: deixar o deslocamento até o emprego menos monótono e segurar a fome até o meio-dia.

Em outros horários, pais compravam o produto para agradar os filhos depois de dizer não várias vezes. Como o mesmo item cumpria dois trabalhos distintos, a média das respostas de um segmento demográfico gerou algo que não servia a nenhum deles.

O número de 40% vem de um dia de observação em um restaurante, sem representar o mercado em geral. Para o atendimento, a lição é olhar o motivo do contato antes do cadastro do cliente, pois quem pede a segunda via de um boleto quer resolver um problema pontual, seja qual for sua idade ou cidade.

Critérios de segmentação de clientes

Definido o trabalho do cliente, a empresa precisa de critérios para separar os grupos do público-alvo, etapa conhecida como segmentação de clientes.

A Bain organizou o que os consumidores valorizam em 30 elementos, agrupados em quatro categorias: funcional, emocional, de mudança de vida e de impacto social. 

Esse mapa ajuda a segmentar, já que cada grupo, demográfico ou comportamental, pode ser analisado pelo que valoriza antes de a empresa desenvolver produtos e serviços que entreguem esses elementos.

Em artigo sobre promoções no varejo, a McKinsey lista grupos que uma empresa pode separar:

  • clientes sensíveis a desconto
  • clientes com afinidade por determinados produtos
  • clientes que preferem determinados canais de compra
  • compradores pouco frequentes
  • membros de programa de fidelidade

No atendimento, os mesmos critérios geram grupos como:

  • clientes com dúvida recorrente
  • clientes em situação crítica
  • clientes com contrato de alto valor
  • clientes que só precisam de um aviso

Para entender o que move cada grupo na hora da compra, o artigo sobre comportamento do consumidor aprofunda o tema.

Análise de público-alvo com dados do atendimento

Como o atendimento gera dados todos os dias, os critérios de segmentação podem ser testados contra o comportamento real dos clientes.

A análise de público-alvo começa pela classificação de cada atendimento por motivo, canal, recorrência e resolução no primeiro contato. O motivo mostra o que o cliente precisa resolver e o canal aponta onde ele procura ajuda. Já a recorrência revela quantas vezes ele volta pelo mesmo assunto, ao passo que a resolução informa se a demanda chegou ao fim.

Considere uma central que recebeu 1.000 contatos em um mês: 400 tratavam de status de pedido, 250 de segunda via de boleto, 200 de cancelamento e 150 de falhas ou reclamações.

A participação de cada motivo sai da divisão do seu volume pelo total: 400 ÷ 1.000 = 40%, 250 ÷ 1.000 = 25%, 200 ÷ 1.000 = 20% e 150 ÷ 1.000 = 15%, o que fecha 100% e confirma que nenhum atendimento ficou fora da conta.

Status de pedido e segunda via respondem por 65% dos contatos (40% + 25%), motivos previsíveis e candidatos naturais à automação. Cancelamento e falhas chegam a 35% (20% + 15%) e pedem o julgamento do atendente, que precisa avaliar cada caso antes de responder e registrar o desfecho.

Priorize perfis por valor e por necessidade

Com os contatos classificados, a empresa percebe que nem todo grupo do público-alvo justifica um modelo de atendimento próprio. A ordem de prioridade depende de quatro critérios: valor para o negócio, frequência de contato, risco de perda e urgência da necessidade, todos observáveis nos dados do atendimento.

As empresas líderes em personalização, segundo relatório da McKinsey, recorrem a segmentos e microssegmentos e combinam, entre outros dados, tendências de comportamento e de transação para quantificar objetivos e adotar indicadores centrados no cliente.

Um perfil com muito valor para o negócio e risco de perda pede atendimento próprio, ao passo que um grupo de baixo retorno e contato raro cabe no modelo geral. A conta precisa incluir o custo de manter cada perfil, porque filas, canais, roteiros e regras de prioridade próprias exigem revisão constante.

Por isso, a empresa mantém poucos perfis e exige que cada um justifique a diferença de tratamento com uma necessidade real.

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Como atender cada perfil de cliente: canal, tom, fila e automação

Cada perfil muda o canal, o tom, a prioridade na fila e o que a automação resolve.

Com os perfis ordenados, o modelo de atendimento passa a ser consequência do público-alvo escolhido, com quatro decisões que saem diretamente dele.

Canal: onde cada perfil espera ser atendido

A primeira dessas decisões é o canal, porque perfis diferentes procuram ajuda em lugares distintos e a operação precisa estar presente em cada um deles, sem obrigar o cliente a mudar de meio para ser atendido.

No livro Personalized, a BCG descreve cinco promessas de personalização que orientam a relação com o cliente:

  1. “Empower Me”: colocar as necessidades do cliente em primeiro lugar e ajudá-lo a atingir seus objetivos
  2. “Know Me”: conquistar a confiança do cliente e a permissão para usar seus dados
  3. “Reach Me”: chegar ao cliente certo pelo canal adequado, na hora certa
  4. “Show Me”: adaptar mensagens e conteúdo à necessidade de cada cliente
  5. “Delight Me”: testar e melhorar continuamente para entender melhor o cliente

Entre elas, “Reach Me” é a que mais se liga à escolha de canal por perfil. A McKinsey segue a mesma linha ao incluir a preferência de canal entre os critérios de grupo, com descontos oferecidos por meios específicos, como mala direta ou aplicativo, aos clientes que preferem cada um deles.

Uma operação multicanal, que reúne voz, chat, e-mail, redes sociais e aplicativos de mensagem, permite que cada perfil escolha o meio que prefere sem que a equipe perca o histórico, desde que todos os canais estejam ligados à mesma fila.

Cada um deles é detalhado no artigo sobre canais de atendimento. Um cliente que só precisa de um aviso de agendamento dispensa a fila e recebe uma mensagem ativa.

Tom: como a linguagem acompanha o perfil

Escolhido o canal, a linguagem usada nele passa a variar por perfil, o que combina com a expectativa do consumidor: segundo a McKinsey, 72% esperam que as empresas os reconheçam como indivíduos e conheçam seus interesses.

Ao definir personalização, os consumidores ouvidos a associaram à sensação de receber um tratamento especial e reagiram bem às marcas que demonstraram investimento na relação, com gestos como um contato após a compra ou um vídeo de instruções que ajuda a usar o produto no dia a dia.

Na promessa “Show Me”, as mensagens se adaptam à necessidade de cada cliente, o que no atendimento vira um roteiro por perfil: quem está em situação crítica ouve primeiro o reconhecimento do problema. Quem tem dúvida recorrente recebe a resposta em poucas linhas.

Com o roteiro definido, o tom deixa de depender do hábito de cada atendente. O tema aparece com mais profundidade em atendimento personalizado.

Prioridade na fila: quem espera menos e por quê

Definido o tom, a prioridade na fila decide quem espera menos, com uma regra que combina urgência da necessidade, risco de perda do cliente, valor do contrato e tempo decorrido desde o primeiro contato.

Quem está com o serviço parado pesa mais na fila do que quem tem dúvida sobre fatura, mesmo que este tenha chegado antes.

O roteamento por serviço complementa a prioridade, já que cada tipo de contato segue para o grupo de atendentes preparado para resolvê-lo e o cliente evita ser repassado várias vezes até chegar à pessoa certa.

Como a prioridade para um perfil significa demora maior para outro, a regra precisa estar escrita, com um limite de espera para cada grupo e revisão periódica.

Automação ou atendente: quem atende cada perfil

Se a prioridade organiza a fila, a automação decide quais contatos chegam até ela.

A divisão parte da natureza do contato: pedidos recorrentes e previsíveis, como consulta de status e segunda via, vão para a automação. Contatos que exigem julgamento ou empatia ficam com o atendente.

Quando a conversa passa do bot para a pessoa, o atendente recebe o histórico e os dados já coletados, sem que o cliente precise repetir a informação. Essa lógica conecta o atendimento à visão customer centric, em que a operação é desenhada a partir do cliente e cada regra parte de uma necessidade observada.

Quatro perfis mostram como as decisões se combinam, com valores que cada empresa ajusta à própria operação.

PerfilCanalTomPrioridade na filaDestino
Dúvida recorrenteChat, mensagem, e-mail e atendimento automático por vozCurto e objetivoPadrãoAutomação, com repasse ao atendente se a resposta não resolver
Situação críticaVoz ou chat com atendenteEmpático e diretoAltaAtendente, com o histórico já coletado
Contrato de alto valorCanal dedicadoConsultivoAlta ou fila própriaAtendente designado
Aviso ou lembreteMensagem ativaInformativo e cordialSem fila, salvo resposta do clienteAutomação, com o atendente apenas nas respostas que pedem decisão

Perguntas frequentes sobre público-alvo

Qual a diferença entre público-alvo e perfil de cliente?

Público-alvo é o grupo que a empresa escolhe atender de forma prioritária. O perfil é cada subgrupo dentro dele, com uma necessidade e um comportamento próprios. Como um público-alvo contém vários perfis, cada um só justifica canal, tom, prioridade na fila e automação próprios quando a necessidade realmente muda.

Como fazer a análise de público-alvo com os dados do atendimento?

Classifique cada atendimento por motivo, canal, recorrência e resolução no primeiro contato. Depois divida o volume de cada motivo pelo total de contatos para obter a participação de cada um. Motivos frequentes e previsíveis indicam candidatos à automação, com os raros e complexos reservados ao atendente.

Quantos perfis de cliente merecem atendimento diferente?

O número depende de quantos grupos pedem uma combinação distinta de canal, tom, fila e automação. Cada perfil extra exige roteiro e regra de prioridade próprios. Assim, a empresa mantém apenas os perfis cuja necessidade ou valor compensa o custo de um tratamento próprio.

O público-alvo muda com o tempo?

Sim, o público-alvo muda com o tempo, como indica o relatório da McKinsey: cerca de 75% dos consumidores testaram um novo comportamento de compra nos 18 meses anteriores ao levantamento, sendo que mais de 80% deles pretendiam manter o hábito. Rever o recorte em cada ciclo acompanha essa mudança.

O que automatizar primeiro ao atender perfis diferentes?

Automatize primeiro os contatos frequentes e de baixo risco, como consulta de status e segunda via de documento. Cada fluxo precisa prever a transferência ao atendente, com o histórico já coletado, quando o cliente não resolve. Contatos sensíveis, como falha grave ou reclamação, ficam com o atendente desde o início.

Revisar o público-alvo a cada ciclo de atendimento

Saber o que é público-alvo é apenas o ponto de partida: a segmentação de clientes acompanha um comportamento que muda com o tempo.

A revisão começa pelos dados do atendimento, que mostram quais motivos cresceram, quais perfis passaram a recontatar, em que ponto a fila piorou e qual roteiro gerou queixa. Cada mudança relevante passa por um teste curto antes de virar regra.

O ganho está em manter um público-alvo que a equipe consegue explicar e ajustar com base em dados, de modo que, quando o perfil se altera, o atendimento que ele recebe acompanha a mudança, sem depender de percepções isoladas sobre o que os clientes querem e precisam resolver.

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Leve as regras de cada perfil para a operação

Perfis definidos e regras de canal, tom, fila e automação escritas ainda precisam de uma plataforma que as aplique no dia a dia.

O NeoInteract, plataforma de atendimento multicanal da Dígitro, reúne voz, chat, e-mail, redes sociais, WhatsApp e RCS (Rich Communication Services) em um único ambiente de operação e gestão.

Nesse ambiente, a fila única roteia cada contato por serviço conforme as regras definidas pelo administrador, enquanto os painéis em tempo real acompanham agentes e filas. A inteligência artificial (IA) nativa avalia cordialidade, sentimento, motivo e resolutividade de cada conversa, dados que sustentam a revisão do público-alvo a cada ciclo.

Para o perfil de dúvida recorrente, o Persona, solução da Dígitro, automatiza os contatos previsíveis e transfere a conversa ao atendente somente quando necessário atendimento humano.

Com essa base, o atendimento deixa de tratar todos os contatos do mesmo jeito e passa a responder ao perfil de cada cliente. Conheça a solução de comunicação multicanal da Dígitro e organize o atendimento por perfil!

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