Blueprint de serviços: o que é, como implementar e impacto no atendimento

Blueprint de serviços é o diagrama que relaciona pessoas, processos e evidências à jornada do cliente: veja como implementar e o impacto no atendimento.
Diagrama de blueprint de serviços com canais e etapas do atendimento ao cliente
Sumário

Blueprint de serviços (service blueprint, em inglês) é um diagrama que relaciona pessoas, evidências e processos aos pontos de contato de uma jornada específica do cliente. Enquanto o mapa de jornada registra o caminho do cliente, com seus pensamentos e emoções, o blueprint de serviços documenta como a organização cria essa experiência.

O diagrama separa o que o cliente vê do que acontece nos bastidores. Ele reúne ações do cliente, ações frontstage, ações backstage, processos de suporte e evidências, divididos por linhas.

O blueprint de serviços é especialmente útil em cenários complexos, que reúnem várias ofertas de serviço. Ele é indicado para experiências multicanal, com vários pontos de contato ou que exigem a coordenação de mais de um departamento, mas também pode ter escopo focado, com até três pontos de contato. Um mesmo serviço pode ter vários blueprints, um para cada cenário.

Este artigo apresenta os elementos do diagrama, a diferença para o mapa de jornada, um exemplo prático, as etapas de implementação e o impacto na experiência e no atendimento ao cliente. Confira!

O que é blueprint de serviços

Definição de blueprint de serviços

Segundo a Nielsen Norman Group (NN/g), um blueprint de serviços visualiza a relação entre pessoas, evidências físicas ou digitais e processos ligados aos pontos de contato de uma jornada do cliente.

O blueprint de serviços pertence ao design de serviço. A NN/g define esse campo como o planejamento e a organização dos recursos de um negócio para melhorar a experiência dos colaboradores de modo direto e a do cliente de modo indireto. 

Todo diagrama deve responder a uma meta de negócio, como reduzir redundâncias ou unir processos isolados.

Os elementos de um blueprint de serviços

Para a NN/g, todo blueprint de serviços tem, qualquer que seja o formato visual, quatro elementos principais, mais uma camada final de evidências:

  • Ações do cliente: reúnem os passos, escolhas, atividades e interações que ele realiza para atingir um objetivo. Vêm de pesquisa ou de um mapa de jornada.
  • Ações frontstage: acontecem à vista do cliente. Envolvem contato entre pessoas, como o funcionário que recebe o cliente na loja, ou tecnologia de autoatendimento, como um aplicativo.
  • Ações backstage: sustentam o que o cliente vê. Podem ser feitas por um colaborador de bastidor, como o cozinheiro na cozinha, ou por quem atende o cliente e faz algo fora da sua vista, como registrar um pedido no sistema.
  • Processos: reúnem as etapas e interações internas que apoiam os colaboradores na entrega do serviço, como a verificação do cartão de crédito.
  • Evidências: incluem objetos e lugares com os quais alguém no diagrama interage, como o site ou a caixa de e-mail.

Nem todo ponto de contato tem uma ação frontstage correspondente. Na entrega de um eletrodoméstico, por exemplo, o cliente interage com o serviço sem encontrar uma pessoa da empresa. Cada interação, com funcionário ou com tecnologia, é um momento da verdade: o cliente julga a qualidade e decide compras futuras.

Linhas e elementos complementares do blueprint de serviços

Os elementos ficam agrupados por linhas. A linha de interação mostra o contato direto entre cliente e organização. A linha de visibilidade separa o que o cliente vê, acima dela, do que ele não vê, abaixo. A linha de interação interna separa os colaboradores que falam com o cliente daqueles que não apoiam diretamente esse contato.

Conforme o contexto e a meta de negócio, a equipe acrescenta cinco elementos complementares:

  • Setas: uma seta simples indica troca em um só sentido. Uma seta dupla indica necessidade de acordo e codependência.
  • Tempo: indica a duração estimada de cada ação, quando o tempo é uma variável central do serviço.
  • Regulamentações ou políticas: regras que definem como um processo é executado e mostram o que pode ou não mudar na otimização.
  • Emoção: mostra a emoção dos colaboradores, com faces verdes e vermelhas, para indicar onde há frustração e onde há motivação.
  • Métricas: trazem indicadores de sucesso, como o tempo gasto nos processos ou os custos financeiros associados.

Blueprint de serviços e mapa da jornada do cliente

O blueprint de serviços dá continuidade ao mapa de jornada. Com a mesma persona e o mesmo escopo, só a linha de ações do cliente é igual nos dois.

O foco também muda. O mapa de jornada busca conhecer melhor o usuário, com seus pensamentos e emoções. O blueprint de serviços reflete a perspectiva da organização e documenta como ela cria a experiência. Por isso o diagrama traz também o que a equipe faz à vista do cliente e fora dela, além dos processos de suporte.

A tabela resume a comparação entre os dois diagramas:

CritérioMapa de jornadaBlueprint de serviços
FocoConhecer melhor o usuárioDocumentar como a organização cria a experiência
PerspectivaDo clienteDa organização
ConteúdoAções, pensamentos e emoções do clienteAções do cliente, ações frontstage, ações backstage e processos de suporte
Elemento em comumLinha de ações do clienteLinha de ações do cliente


Segundo a Forrester, quem busca captar a perspectiva do cliente na jornada pode acabar com mapas de processo, que documentam uma visão interna do negócio. Ferramentas como o blueprint de serviços conectam as duas perspectivas ao mapear dependências internas. As ações dos funcionários e os processos de apoio entram nesse mapeamento, junto com os sistemas.

Esse mapeamento ajuda a evitar consequências negativas para a customer experience quando processos ou sistemas internos mudam.

Na visão da Forrester, o uso de jornadas evolui em três estágios:

  • No primeiro, o mapeamento identifica pontos de dor com equipes temporárias. É nele que muitas equipes de customer experience ficam paradas. 
  • No segundo, a gestão de jornadas reúne gestores e equipes dedicados que trabalham entre áreas.
  •  No terceiro, a centralidade da jornada faz dos resultados do cliente o princípio de organização de times, tecnologia, orçamentos e operações.

Exemplo de blueprint de serviços em um atendimento

Em um cenário de exemplo, o cliente informa a data de um serviço no chat do site. Minutos depois, o atendente pergunta a mesma data.

Este exemplo aplica os elementos do blueprint a um reagendamento, dentro do processo de atendimento ao cliente de uma empresa que quer reduzir redundâncias.

O cliente quer reagendar um serviço marcado. O chat do site, com um assistente automatizado, coleta os dados iniciais. Depois entra uma pessoa. O blueprint tem três fases.

CamadaFase 1: pedir o reagendamentoFase 2: escolher a
nova data
Fase 3: receber a confirmação
Ações do clienteAbre o chat do site e informa o serviço marcadoEscolhe uma das datas oferecidasRecebe a confirmação por e-mail
Linha de interação
Ações frontstageO assistente do chat pede os dados (interação com tecnologia)O atendente apresenta as datas disponíveis (interação com pessoa)O atendente informa que o reagendamento foi concluído
Linha de visibilidade
Ações backstageO atendente consulta os dados já informados no chatO atendente registra o pedido no sistema de agenda. A equipe de agenda confirma a disponibilidadeO registro do reagendamento é atualizado
Linha de interação interna
ProcessosVerificação de cadastroRegras de agenda e prazo de reagendamentoEnvio da confirmação
EvidênciasSite e janela de chatTela com as datasE-mail de confirmação

Os elementos complementares aparecem assim: uma seta dupla liga o atendente à equipe de agenda, porque a data depende de acordo entre os dois. A regra de prazo para reagendar mostra o que pode ou não mudar na otimização. 

Uma seta simples indica o envio dos dados do chat para o atendente. Frustrações dos colaboradores poderiam aparecer em faces vermelhas e verdes. Tempo e métricas ficam para a empresa preencher, sem valores no exemplo.

Com o blueprint de serviços pronto, a equipe pode verificar se os dados informados no chat chegam ao atendente. Reaproveitar uma informação coletada no início da jornada beneficia os dois lados. O cliente é reconhecido na segunda vez e poupa tempo e esforço. O colaborador não recolhe o dado de novo. Também some o risco de dados inconsistentes.

Se dois atores registrassem a mesma informação, o diagrama permitiria localizar a duplicidade e eliminar a redundância. O exemplo é uma simplificação didática, já que blueprint real depende de pesquisa.

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Como implementar um blueprint de serviços

Seis etapas organizam a implementação do blueprint, com base nas orientações  da NN/g e do Qualtrics XM Institute.

Etapa 1: escolha a jornada e o objetivo do blueprint de serviços

Cada blueprint corresponde a uma jornada. No exemplo, ela é o reagendamento dentro do processo de atendimento ao cliente. O escopo dessa jornada pode variar. Ele influencia o número de pessoas envolvidas, a fidelidade do diagrama, o volume de pesquisa e a supervisão das partes interessadas.

Todo blueprint deve estar alinhado a um objetivo de negócio, como melhorar a experiência dos colaboradores.

Etapa 2: parta das ações do cliente

A linha de ações do cliente é a base do diagrama. Ela vem de pesquisa ou de um mapa de jornada.

Workshops com os envolvidos ajudam a mapear os passos que a persona segue e as interações que ela tem pelo caminho.

As ações que a organização realiza, direta ou indiretamente, para apoiar a jornada entram no mesmo mapeamento. Depois, os primeiros rascunhos passam por validação com clientes ou colaboradores.

Etapa 3: reúna a pesquisa para o blueprint

O blueprint é um método qualitativo. Dados quantitativos entram como uma camada que indica escala. A pesquisa é em grande parte interna, o que a torna relativamente acessível.

O ponto de partida são os dados existentes, como pesquisas de satisfação e tickets de suporte. Para preencher lacunas, combine pesquisa atitudinal, como questionários e entrevistas, com abordagem comportamental, como a observação direta, porque o que as pessoas dizem nem sempre coincide com o que fazem. 

Entrevistas de mapeamento cognitivo também ajudam, pois revelam os modelos mentais dos colaboradores.

Etapa 4: monte o time do blueprint de serviços

A composição do time depende do escopo. Quanto mais amplo o escopo do blueprint de serviços, maior o envolvimento entre departamentos. Trate o diagrama como uma lista de verificação, com um conhecedor para cada fase e cada camada. Um blueprint com três fases e quatro camadas forma uma matriz de 3 por 4, ou seja, doze células.

Participam do trabalho áreas como design, pesquisa, produto ou projetos, engenharia ou desenvolvimento, liderança sênior, atendimento ao cliente, marketing e vendas. Em cada área, a prioridade vai para quem tem influência na organização ou acesso amplo a pesquisas e a outros colegas.

Etapa 5: comece com baixa fidelidade e evolua

A fidelidade do blueprint de serviços acompanha o momento do projeto. No início, quando a equipe define lacunas e pontos de dor, o melhor é um formato simples, como notas adesivas na parede. Quando o material começa a circular, uma versão mais acabada aumenta a legibilidade e a confiança no diagrama.

Etapa 6: meça e comunique o valor do blueprint de serviços

Um protocolo ajuda a demonstrar o valor do blueprint à organização. O primeiro passo é envolver os interessados desde cedo. Eles passam a confiar no resultado porque acompanharam o processo.

O segundo é acompanhar o sucesso e usá-lo como evidência. Com um grupo e um escopo pequenos, a equipe mede a utilidade do blueprint depois de consultar os colegas e registra com que frequência o diagrama é usado para se comunicar com outras áreas. O terceiro é traduzir os achados em impacto de negócio, com perguntas sobre o que a mudança significa em tempo, dinheiro, recursos e satisfação.

Para acompanhar os efeitos na gestão da experiência do cliente, usam-se métricas de jornada, que medem como as pessoas avaliam suas interações em relação ao objetivo que querem atingir. Elas complementam o feedback de interação e as métricas de relacionamento.

Prazo e escopo do primeiro blueprint

De acordo com o estudo da NN/g, a maioria dos participantes levou menos de um mês em cada uma das duas etapas, a pesquisa e a montagem do blueprint, seja qual for o escopo. Nas experiências focadas, com até três pontos de contato, quase metade das equipes gastou menos de duas semanas em pesquisa e ficou abaixo de uma semana na montagem.

O ideal é começar pequeno, com escopo focado e pesquisa acessível. Assim a equipe ganha familiaridade com o método e passa a ter um diagrama anterior para mostrar aos interessados.

Impacto do blueprint de serviços na experiência do cliente

O que o consumidor percebe

O blueprint de serviços expõe oportunidades de otimização. Uma informação obtida no início da jornada pode ser reaproveitada nos bastidores. Com isso, o cliente é reconhecido na segunda vez, o que torna o serviço mais pessoal. Ele também economiza tempo e esforço.

Onde nasce a causa de um problema percebido pelo cliente

Experiências ruins costumam ter origem em uma falha interna da organização, um elo fraco do ecossistema. A causa raiz de dados corrompidos ou de longas esperas é mais difícil de determinar do que a de um botão quebrado.

O blueprint de serviços mostra o quadro completo e um mapa de dependências, com os recursos e processos, visíveis ou não para o usuário, que tornam o serviço possível. Com ele, a empresa localiza a origem do problema. O método é mais útil na coordenação de serviços complexos, porque conecta o trabalho entre departamentos.

Impacto do blueprint de serviços no atendimento e na operação

Fraquezas, redundâncias e mudanças coordenadas

O maior ganho de conhecimento do blueprint de serviços está, em muitos casos, em identificar o que a empresa ainda não faz e onde não apoia o cliente.

Ao mostrar cada ator e cada ação, o blueprint muitas vezes expõe trabalhos duplicados e indica onde os processos internos podem ser simplificados. Dois atores podem colaborar, ou a empresa pode consolidar ações e responsáveis. Com o blueprint como fonte única de referência, todas as partes consultam a mesma visualização. Com isso, podem tomar decisões informadas e coordenadas, alinhadas ao estado ideal do serviço.

Áreas e colaboradores

O sucesso de um departamento costuma ser medido pelo ponto de contato que ele controla. Um departamento pode cumprir a meta enquanto os objetivos da organização talvez não sejam alcançados.

O blueprint de serviços captura o que ocorre internamente ao longo da jornada inteira e mostra sobreposições e dependências que os departamentos, isolados, não enxergariam. A experiência dos colaboradores também entra no diagrama, pois é possível registrar a emoção de quem trabalha no serviço.

Como processo, o blueprint favorece a comunicação entre equipes multifuncionais e dá a cada uma a noção de sua contribuição para a experiência do cliente como um todo.

Indicadores do blueprint de serviços

O diagrama aceita métricas, como o tempo gasto em cada processo e os custos financeiros associados. Esses números mostram onde tempo ou dinheiro se perdem por falta de comunicação ou outras ineficiências.

Perguntas frequentes sobre blueprint de serviços

Qual a diferença entre blueprint de serviços e mapa da jornada do cliente?

O mapa de jornada foca no usuário, com suas ações, pensamentos e emoções. O blueprint de serviços documenta como a organização cria essa experiência, dentro e fora da vista do cliente. Os dois compartilham a linha de ações do cliente.

Quem deve participar da construção de um blueprint de serviços?

Cada fase e cada camada do diagrama precisa de alguém que a conheça. Entram áreas como design, pesquisa, produto ou projetos, engenharia, liderança sênior, atendimento ao cliente, marketing e vendas.

Preciso mapear toda a operação de atendimento de uma vez?

Não é necessário mapear tudo de uma vez. Cada blueprint corresponde a uma jornada específica. O ideal é começar pequeno, com escopo focado e pesquisa acessível. Com a experiência do primeiro diagrama, a equipe amplia o escopo e já tem um exemplo para mostrar aos interessados.

O blueprint de serviços funciona para atendimento multicanal?

Sim, o blueprint é indicado para experiências de atendimento multicanal, com vários pontos de contato ou que exigem a coordenação de mais de um departamento. Cenários diferentes ganham diagramas separados, como o pedido para viagem e o atendimento no salão de um restaurante.

Como manter o blueprint atualizado e acompanhar o resultado?

A atualização após mudanças no serviço é um desafio das versões de alta fidelidade. Para acompanhar o resultado, meça a utilidade e o uso do diagrama. Na gestão da experiência do cliente, as métricas de jornada complementam esse acompanhamento.

Por onde começar o primeiro blueprint na sua operação

Para o primeiro blueprint de serviços, prefira escopo focado e pesquisa acessível. Escolha um cenário e defina o objetivo de negócio. Reúna alguém que conheça cada fase e cada camada do diagrama. Comece com notas adesivas e aumente a fidelidade conforme o material circular. O primeiro blueprint vira exemplo para mostrar aos interessados.

O diagrama pronto mostra os recursos e processos, visíveis ou não para o usuário, que sustentam o processo de atendimento ao cliente. Uma informação coletada no início da jornada pode ser reaproveitada nos bastidores.

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